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Identificação
- Nome científico
- Maytenus ilicifolia Mart. ex Reissek
- Família botânica
- Celastraceae (família do espinheiro-da-europa)
- Tipo
- Fitoterápico gastroprotetor / antiulceroso
- Parte usada
- Folhas, preferencialmente adultas, secas.
- Espinheira-santa · cancorosa · salva-vida · bálsamo · maiteno (farmacológico)
- Cangorosa (Sul do Brasil) · espinheiro-divino
- Mata-olho (uso popular RS/SC)
Características
- Sabor
- Amargo leve a moderado, verde-herbáceo, levemente adstringente, com nota final levemente doce. Mais palatável que outras ervas medicinais — admite uso regular diário.
- Aroma
- Erval fresco, folha verde levemente amadeirada, fundo de chá-verde.
- Cor da infusão
- Verde-amarelado a âmbar-verdoso claro. #B5C96A
- Intensidade
- 2/5 — infusão relativamente suave, de uso cotidiano possível.
- Bioma de origem
- Cerrado (distribuição principal) + Mata Atlântica (RS, SC, PR — grande centro de pesquisa e uso).
Como preparar
- Temperatura
- 90–95 °C. Não ferver (degrada triterpenos lábeis).
- Quantidade
- 1–2 colheres de sopa (3–5 g) de folhas secas para 250 ml.
- Método
- Infusão coberta. Decocção fraca (5 min fervura suave) para uso medicinal mais concentrado.
- Melhor momento
- 30 minutos antes das refeições (gastroprotetor), 3x ao dia.
- Combina com
- Funcho · Camomila · Alcaçuz · Melissa (blends digestivos suaves)
Ações principais
- Antiulceroso (proteção da mucosa gástrica)
- Antissecretor gástrico (reduz acidez)
- Analgésico gástrico
- Anti-inflamatório
- Anticancerígeno (pesquisas com maiteansinas — ainda experimental)
- Adstringente suave
- Gestação — contraindicada (abortiva em modelos animais com doses altas)
- Lactação — cautela (dados insuficientes)
- Uso simultâneo com antiácidos: pode reduzir absorção
Componentes ativos
- MAITEANSINAS (alcalóides) — Antitumoral (experimental), anti-inflamatório
- FRIEDELINA (triterpeno) — Antiulceroso, analgésico
- CANGORÍN (polifenol) — Antissecretor gástrico
- TANINOS TOTAIS — Adstringente, gastroprotetor
- FLAVONÓIDES — Antioxidante, anti-inflamatório
Contraindicações e cuidados
- Gestação — contraindicada (abortiva em modelos animais com doses altas)
- Lactação — cautela (dados insuficientes)
- Uso simultâneo com antiácidos: pode reduzir absorção
História e cultura
A espinheira-santa é a erva brasileira com maior número de ensaios clínicos nacionais para indicação gastroprotetora — em grande parte, resultado do Programa CEME (Central de Medicamentos) do governo federal nos anos 1970–1980, que sistematizou a pesquisa de plantas medicinais do SUS. Usada há séculos no Sul do Brasil (onde crescem populações nativas nas matas de araucária), foi incorporada ao conhecimento popular gaúcho e catarinense como "remédio da roça" para "azia" e "dor de estômago".
A espinheira-santa é um dos poucos exemplos de cadeia fitoterápica relativamente estruturada no Brasil — cultivo em sistema agroflorestal no Paraná, padronização de extrato, fitoterápico registrado na ANVISA e uso pelo SUS em algumas redes estaduais. Ainda assim, a maior parte do consumo é de erva solta em farmácia de manipulação ou ervanário — sem controle de qualidade padronizado.
Status regulatório
- ANVISA (Brasil)
- Monografia oficial. Indicação: gastrite, úlcera gástrica e duodenal.
- Sazonalidade
- Folhas coletadas preferencialmente no período vegetativo ativo