Para que serve
Calmante suave, digestiva, ansiedade
Calmante brasileiro clássico. Suave e seguro para toda a família. Ideal para estresse diário leve sem causar sedação.
Como preparar
85°C · 7 min · 1-2 col. sopa / 250ml
3x ao dia
Quem deve evitar
- L. alba: hipotensão (advertência expressa — pode causar bradicardia e hipotensão em doses altas)
- L. sidoides: NÃO USAR EM INALAÇÕES (advertência expressa)
- L. sidoides: NÃO ENGOLIR produto após bochecho
- Hipersensibilidade a terpenos fenólicos (L. sidoides)
Seguro para: gestantes, crianças, hipertensos
Toma remédio? Há 2 interações conhecidas — veja abaixo.
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Detalhe técnico
Identificação
- Nome científico
- Lippia alba + Lippia sidoides
- Família botânica
- Verbenaceae
- Tipo
- Arbustos aromáticos, típicos de cerrado e caatinga brasileiros. L. alba mais difundida geograficamente; L. sidoides concentrada no Nordeste.
- Parte usada
- L. alba: partes aéreas secas (1 a 3 g/150 ml, uso interno) · L. sidoides: folhas secas (2 a 3 g/150 ml, uso externo)
- Lippia alba: erva-cidreira-de-arbusto · lípia · falsa-melissa · cidreira-brava
- Lippia sidoides: alecrim-pimenta · alecrim-do-mato · alecrim-de-caboclo
- Sinonímia botânica L. alba: Lantana alba Mill., Lantana geminata (Kunth) Spreng.
- IMPORTANTE: o nome "erva-cidreira" é usado para múltiplas plantas no Brasil. Melissa officinalis (europeia, Lamiaceae), Cymbopogon citratus (capim-limão, Poaceae) e Lippia alba (esta ficha, Verbenaceae) todas são chamadas "erva-cidreira" em diferentes regiões.
Características
- Sabor
- L. alba: cítrico-herbáceo suave, similar à melissa, com nuance de limão-siciliano. L. sidoides: apimentado-aromático intenso (timol), uso externo (não se bebe).
- Aroma
- L. alba: cítrico de limão-galego, floral leve, folha amassada. L. sidoides: intensamente aromático, lembra tomilho e orégano queimados, com toque apimentado.
- Cor da infusão
- L. alba: amarelo-esverdeado pálido #D6D58A. L. sidoides: âmbar (uso tópico) #B88745
- Intensidade
- L. alba: 3/5 · L. sidoides: 5/5 aromático (uso externo)
- Bioma de origem
- Ambas brasileiras. L. alba: ampla distribuição; L. sidoides: endêmica do semiárido nordestino (caatinga).
Como preparar
- Temperatura
- 95 °C.
- Tempo de infusão
- 10 minutos coberto.
- Quantidade
- L. alba: 1 a 3 g/150 ml (uso oral). L. sidoides: 2 a 3 g/150 ml (uso externo bucal)
- Método
- Infusão coberta para L. alba. Para L. sidoides: infusão para bochecho, ATENÇÃO: NÃO USAR EM INALAÇÕES devido à ação irritante dos componentes voláteis (advertência expressa da monografia).
- Melhor momento
- L. alba: após refeições ou antes de dormir (3 a 4x ao dia). L. sidoides: bochecho 3x ao dia após escovação.
- Combina com
- L. alba: camomila, lavanda (blend calmante). L. sidoides: uso isolado em bochecho.
Ações principais
- L. alba: Ansiolítico, sedativo leve, antiespasmódico, antidispéptico (monografada)
- L. sidoides: Antisséptico e anti-inflamatório da cavidade oral (monografada)
- L. sidoides: Antimicrobiano de amplo espectro (ação do timol)
Componentes ativos
- L. alba: Citral (geranial + neral) — Aldeído monoterpênico — similar ao do capim-limão, responsável pelo aroma cítrico e ação calmante leve
- L. alba: Mirceno, limoneno — Monoterpenos secundários — potencial ansiolítico
- L. sidoides: Timol (até 60% do óleo essencial) — Fenol monoterpênico — principal antimicrobiano. Atividade comparável aos enxaguantes bucais comerciais com clorexidina.
- L. sidoides: Carvacrol — Fenol isômero do timol, ação similar
- Flavonoides (ambas) — Antioxidantes
Contraindicações e cuidados
- L. alba: hipotensão (advertência expressa — pode causar bradicardia e hipotensão em doses altas)
- L. sidoides: NÃO USAR EM INALAÇÕES (advertência expressa)
- L. sidoides: NÃO ENGOLIR produto após bochecho
- Hipersensibilidade a terpenos fenólicos (L. sidoides)
Interações
- L. alba com anti-hipertensivos — potencialização leve
- L. alba com sedativos — aditivo
Efeitos adversos e dose máxima
- Efeitos adversos
- L. alba em doses altas: irritação gástrica, bradicardia, hipotensão. L. sidoides: sensação de ardor na boca e alteração temporária no paladar (advertência expressa, efeito esperado).
- Dose máxima
- L. alba (uso interno): 150 ml do infuso (1 a 3 g), 3 a 4 vezes ao dia. Crianças 3 a 7 anos: 35 ml. 7 a 12 anos: 75 ml. Idosos > 70 anos: 75 ml. L. sidoides (uso externo): bochechos/gargarejos 3 vezes ao dia.
História e cultura
Ambas as lippias são plantas da farmácia cabocla nordestina — especialmente ligadas ao sertão semiárido do Nordeste. L. sidoides é endêmica da caatinga e foi uma das plantas pioneiras do programa Farmácia Viva, concebido pelo professor Francisco Abreu Matos na Universidade Federal do Ceará nos anos 1980.,A Farmácia Viva da UFC é referência internacional de fitoterapia popular — modelo replicado em múltiplos estados brasileiros. A L. sidoides virou "carro-chefe" desse modelo como fonte de antisséptico oral de baixo custo.,A L. alba tem história mais difusa — presente em quintais de todo o Nordeste, confundida com a melissa europeia na linguagem popular, mas com farmacologia própria documentada.
As lippias brasileiras são embaixadoras da fitoterapia popular nordestina — regionalmente muito mais conhecidas e usadas do que a melissa europeia ou camomila alemã.,A L. sidoides tem pesquisa científica brasileira robusta (UFC, Fiocruz-CE) e presença em políticas públicas de fitoterapia no SUS.,Para o Ervatório, a ficha consolidada destas lippias é oportunidade de visibilizar a fitoterapia nordestina como tradição com base científica e regulatória sólida.
Status regulatório
- ANVISA (Brasil)
- Duas monografias oficiais no Formulário de Fitoterápicos (Anvisa, 2011). L. alba: ansiolítico, sedativo leve, antiespasmódico, antidispéptico. L. sidoides: anti-inflamatório e antisséptico da cavidade oral.
- EMA (Europa)
- Sem monografia específica.
- FDA (EUA)
- Sem reconhecimento específico.
- Sazonalidade
- Colheita contínua em clima semiárido. Concentração ótima de timol na L. sidoides entre julho e setembro (estação seca).
Fontes
- Farmacopeia Brasileira — Formulário de Fitoterápicos (Anvisa, 2011), monografias oficiais de Lippia alba e Lippia sidoides
- Matos — Farmácias Vivas: sistema de utilização de plantas medicinais (UFC)
- Lemos et al. — Antimicrobial activity of essential oils of Lippia sidoides (J Ethnopharmacol, 1990)
- Oliveira et al. — Lippia sidoides Cham: uma abordagem farmacognóstica (Rev Bras Farmacogn, 2006)