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Identificação
- Nome científico
- Dipteryx odorata (Aubl.) Willd.
- Família botânica
- Fabaceae / Papilionoideae
- Tipo
- Especiaria aromática / fitoterápico
- Parte usada
- Semente seca (fava de cumaru / tonka bean); casca do fruto (uso popular).
- Cumaru · cumarú · fava-tonka · fava de cumaru
- Tonka bean (inglês/francês — nome do mercado de perfumaria)
- Coumarou (francês histórico — origem da palavra "cumarina")
- ATENÇÃO: a cumarina presente no cumaru é a mesma substância da imburana-de-cheiro (Amburana cearensis) — mas em concentração muito maior na fava de cumaru.
Características
- Sabor
- Doce-baunilha intensíssimo, cumarina pura, amêndoa tostada, caramelo, fava de baunilha bourbon com nota de almíscar. Um dos sabores mais complexos e sedutores do catálogo.
- Aroma
- Baunilha bourbon madura, cumarina cristalizada, amêndoa torrada, caramelo, leve almíscar de madeira. Perfume de luxo em semente.
- Cor da infusão
- Âmbar-dourado a marrom-mel. #C8882A
- Intensidade
- 4/5 — aroma dominante, sabor inconfundível.
- Bioma de origem
- Amazônia — floresta de terra firme. AM, PA, RO, AC, também Guianas e Venezuela.
Como preparar
- Temperatura
- 85–90 °C (cumarina é volátil — não ferver).
- Quantidade
- 0,5–1 g de semente ralada para 250 ml (poderoso — dose baixa).
- Método
- Infusão coberta de semente ralada fina (microplaina). Decocção curta da casca.
- Melhor momento
- Noite (sedativo leve) ou pós-refeições (digestivo aromático).
- Combina com
- Cacau · Canela · Cardamomo · Açaí · Guaraná · Baunilha · Mel (blends amazônico-premium)
Ações principais
- Antiespasmódico
- Broncodilatador leve (cumarina)
- Sedativo suave
- Anticoagulante fraco
- Aromático (perfumaria, cosmética)
- Analgésico tópico
- Gestação — cumarina uterotônica
- Anticoagulados — potencialização significativa
- Hepatopatias — hepatotóxico em doses altas
- Uso diário intenso por períodos prolongados
Componentes ativos
- CUMARINA — 1–3% (semente seca) — Broncodilatador, antiespasmódico, anticoagulante fraco
- ÁCIDO CUMÁRICO — Presente — Antioxidante
- FLAVONÓIDES — Presentes — Anti-inflamatório
- ALCALÓIDES (traços) — Traços — Tonificante leve
Contraindicações e cuidados
- Gestação — cumarina uterotônica
- Anticoagulados — potencialização significativa
- Hepatopatias — hepatotóxico em doses altas
- Uso diário intenso por períodos prolongados
História e cultura
O cumaru é a semente que nomeou uma molécula — o químico Vogel, ao isolar em 1820 o composto aromático da fava de cumaru, nomeou-o "cumarina" (coumarin). A partir daí, a cumarina tornou-se molécula-referência em química orgânica e uma das mais usadas em perfumaria do século XX. A fava tonka (cumaru) é ingrediente histórico da perfumaria europeia de luxo — Chanel Nº5 e Guerlain Shalimar têm cumarina como nota de fundo. Durante décadas, perfumistas compravam favas de cumaru do Brasil para destilar cumarina sintética — hoje usam cumarina sintética, mas a fava natural tem mercado premium crescente. Na cozinha, o cumaru é o "truffe noire da Amazônia" — chefs de alta gastronomia como Alex Atala (D.O.M., São Paulo) popularizaram a fava de cumaru ralada sobre sobremesas, risotos e drinks, elevando um produto extrativista amazônico a ingrediente de elite gastronômica global.
Status regulatório
- ANVISA (Brasil)
- Regulado como especiaria alimentar. Limite de cumarina em alimentos: EFSA 0,1 mg/kg/dia
- FDA (EUA)
- Proibido como aditivo alimentar nos EUA (mas fava inteira permitida como especiaria)
- Sazonalidade
- Colheita de sementes: agosto–novembro