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Losna

Artemisia absinthium L.

A rainha dos amargos — digestivo mítico europeu naturalizado no Sul do Brasil, base do absinto e do vermouth, com uma das histórias culturais mais ricas do catálogo.

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Identificação

Nome científico
Artemisia absinthium L.
Família botânica
Asteraceae
Tipo
Digestivo amargo / antiparasitário / tônico estomacal
Parte usada
Partes aéreas (folhas e ramos finos), secas.

Características

Sabor
O mais amargo do catálogo — amargor intenso, persistente, com nota mentolada fria e fundo resinoso. Só apreciável por amantes de amargos ou em uso medicinal.
Aroma
Mentolado-resinoso, herbáceo intenso, levemente defumado-feno. Característico e inconfundível.
Cor da infusão
Verde-prateado a verde-amarelado. #7A9B5C
Intensidade
5/5 para amargura; 4/5 para aroma. Infusão de presença esmagadora.

Como preparar

Temperatura
90–95 °C.
Quantidade
0,5–1 g de partes aéreas secas para 250 ml. Dose baixa é essencial.
Método
Infusão simples, curta.
Melhor momento
20–30 minutos antes das refeições (digestivo amargo). Não usar à noite (estimulante).
Combina com
Gengibre · Hortelã · Funcho (suaviza o amargo) · Mel

Ações principais

Componentes ativos

Contraindicações e cuidados

História e cultura

A losna é a planta mais carregada de história cultural do catálogo. Os egípcios a usavam como antiparasitário e afrodisíaco. Hipócrates a prescrevia para icterícia e gota. É mencionada no Apocalipse de João como "Absinto" — a estrela amarga que cai no fim dos tempos e envenena as águas. Nos séculos XVIII e XIX, o absinto — destilado de Artemisia absinthium com teor alcoólico de 45–75% — tornou-se a bebida da boêmia europeia. Van Gogh, Verlaine, Toulouse-Lautrec, Oscar Wilde, Ernest Hemingway — todos eram bebedores de absinto. A loucura do genial foi atribuída à thujona do absinto (hoje sabe-se que o álcool era o principal responsável). O absinto foi proibido em quase toda a Europa de 1905 a 1990. Na Serra Gaúcha (RS), os descendentes de imigrantes italianos e alemães mantêm a tradição de digestivos amargos com losna — chamados localmente de "amargo" ou "amargo-gaúcho".

A losna ocupa um nicho cultural específico — é a erva dos descendentes europeus do Sul, não da tradição indígena ou africana. Seu uso popular é geograficamente concentrado e etnicamente marcado, o que a torna um documento cultural sobre a pluralidade da fitoterapia brasileira.

Status regulatório

ANVISA (Brasil)
Não monografado. Regulação como fitoterápico em discussão.
EMA (Europa)
Monografia HMPC — traditional use para dispepsia.
Sazonalidade
Partes aéreas coletadas em floração (verão sulino — novembro–março)
🌿 Aviso: conteúdo exclusivamente educacional — não substitui prescrição, diagnóstico ou aconselhamento médico. Consulte profissional de saúde qualificado antes de usar plantas medicinais, especialmente em gravidez, amamentação, uso de medicamentos ou doenças preexistentes.

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